Home Ask me F. asked Rabiscos sou dele
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“Faz de conta que ela nao estava chorando por dentro, pois agora, mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado.”
— Clarice Lispector

“Em 21 de Abril de 1967, o 100.000º veículo GM que saiu da linha de montagem na fábrica em Janesville, um Caprice Azul de duas portas. Houve uma grande cerimônia. Discursos. Até o vice-governador apareceu. Três dias depois, outro carro também saiu daquela linha. Ninguém deu importância a ‘ela’, mas deviam ter dado, porque esse Chevrolet Impala 67 tornaria-se o objeto mais importante em praticamente todo o universo. ‘Ela’ pertenceu primeiramente a Sal Moriarty, um alcoólatra com duas mulheres e três artérias bloqueadas. No fim de semana, ele dirigia sem rumo, entregando bíblia aos pobres, “Preparando as pessoas para o dia do Juízo final”, isso é o que ele dizia. Sam e Dean não sabem nada sobre isso, mas se soubesse, eu aposto que sorririam. Depois que Sal morreu, ‘ela’ acabou em Rainbow Motors, um terreno de carros usados em Lawrence, onde um jovem fuzileiro a comprou por impulso. Isto é, depois de um pequeno conselho de um amigo. Eu acho que é ai que esta história começa. O impala, claro, tem todas as coisas que os outros carros tem, e algumas coisas que os outros carros não tem, mas nenhuma dessas coisas é importante. O soldadinho que Sam enterrou no cinzeiro ainda está preso lá, os legos que Dean enfiou na fenda de ventilação, até hoje, quando o calor entra, dá pra ouvi-los chacoalhar. Essas coisas que fazem o carro pertencer a eles, ser realmente deles. Mesmo quando Dean ‘a’ reconstruiu do nada, ele garantiu que todas essas pequenas coisas ficassem, porque são as manchas que ‘a’ tornam bonita. O diabo não sabe, nem se importa com o carro que os rapazes dirigem. Entre trabalhos, Sam e Dean, as vezes, tinham dias, as vezes uma semana de folga, se tinham sorte. Passavam o tempo tentando ganhar dinheiro. Sam insistia em um trabalho honesto, mas depois começou a apostar sinuca, como seu irmão. Eles continuam indo a qualquer lugar e fazendo qualquer coisa. Dirigiam 1700km pra ver um show do Ozzy, dois dias pra ir a um jogo dos Jayhawks. E quando o céu estava claro, estacionavam no meio do nada, sentavam-se no capô e olhavam as estrelas, por horas… Sem dizer uma palavra. Nunca ocorreu a eles, que, claro, talvez nunca tenham tido um teto e quatro paredes, mas nunca estiveram, de fato, sem casa. Finais são difíceis. Qualquer pé-rapado com um teclado pode inventar um começo, mas finais são impossíveis. Você tenta unir todas as pontas soltas, mas não consegue. Os fãs sempre vão reclamar. Sempre haverá buracos. E já que é o final, ele deveria significar alguma coisa. Estou dizendo, eles são uma encheção de saco. Essa será a utima vez que Dean e Bobby se veem por muito tempo. Só pra constatar, semana que vem Bobby irá caçar um Rugaru em Dayton, mas não Dean. Dean não queria ter sido salvo por Cas, cada parte dele, cada fibra sua queria ter morrido ou achado um jeito de trazer Sam de volta, mas ele também não vai fazer isso, porque ele fez uma promessa. Então tudo isso foi pra quê? É difícil dizer. Mas eu digo que isso foi um teste, pra Sam e Dean, e eu acho que eles fizeram tudo certo. Lutaram contra o bem e o mal. Anjos, demônios, destino, e até o próprio Deus. Eles fizeram suas próprias escolhas, eles escolheram a família. E bem… Não era essa a intenção?” Chuck Shurley - 5x22 Swan Song







“Cortei o dedo!” “Saiu sangue?” “Não, saiu café.”